Como vencer a fase da adaptação escolar que, normalmente, desencadeia ansiedade, medo, choro e insegurança para pais e filhos.

Independentemente de ser a primeira vez que seu filho vai à escola, ou se mudou de colégio, o período de adaptação escolar não é fácil de encarar. Afinal, nosso maior tesouro vai ficar longe – e sem a gente por perto! – algumas horas e, em alguns casos, o dia todo.

O Joaquim começou a frequentar a escolinha no meio do ano passado, perto de completar quatro anos de idade. Quando comecei minha pesquisa sobre qual escola seria a ideal, um dos fatores principais para eu analisar foi como a escola trabalhava a questão da adaptação.

A escola certa

Em Manaus, muitas não aceitam os pais por mais de três dias durante esse processo e, a maioria, não permite que os pais cheguem perto do filho nesse momento. Isso me deixou bem preocupada, porque queria algo acolhedor, onde eu pudesse, nesses primeiros dias, abraçar meu filho e dizer “Está tudo bem, estou aqui!”


Depois de procurar bastante, graças a Deus, encontrei a Escola Pinocchio, que visa o bom acolhimento para as crianças e pais ultrapassarem essa fase com mais tranquilidade.

Me senti segura e, antes das aulas começarem, levei Joaquim para conhecer a estrutura e conversar um pouco com a pedagoga da escola, Marta Lira, que é maravilhosa! Na época, inclusive, gravei um vídeo com ela falando sobre a importância da adaptação escolar.

O que não fazer durante o período

Mas, apesar de ter gostado da escola, confesso que tive uma boa parcela de culpa em relação a uma adaptação não bem-sucedida… Ia praticamente todos os dias para lá e ficava sentada esperando o Joaquim sair da sala chorando. Tentava acalmá-lo, mas tenho certeza que ele sentia que, na verdade, eu queria mais era chorar com ele. Aí, ele voltava para a sala de aula e, daqui a pouco, retornava para os meus braços.

Esse vai e vem acontecia durante todo o período, pois ele pedia para me ver umas quatro, cinco vezes. E, quando estava quase acostumando com essa nova fase, ou adoecia, ou eu precisava viajar a trabalho e ele ficava dias sem ir à escola. Resultado: voltávamos sempre à estaca zero, e ele nunca acostumava com a nova rotina.

Por isso, neste ano, começamos diferente. Em vez do Joaquim frequentar o período matutino, agora ele vai para a escola depois do almoço. Estou mais firme e focada em não deixar que nada quebre a adaptação escolar. Esta primeira semana me senti bem mais segura.

Consequentemente, consegui tranquilizá-lo mais, pois estou convicta de que a escola é ótima e que meu filho irá se desenvolver, amadurecer e se socializar bem rápido. Afinal, tudo é questão de paciência e muita segurança da nossa parte. Na maioria das vezes, o que eles sentem é medo, insegurança de se afastar pois acham que não vamos voltar para buscá-los.

Suporte afetivo durante a adaptação escolar

Por isso, fiz e faço toda questão de dar esse suporte afetivo a ele nos primeiros dias. Joaquim resistiu bastante, chorou muito… Mas deixei claro que eu estaria ali pertinho dele (escolhi um ambiente dentro da própria escola) e disse a ele que, quando sentisse minha falta, poderia ir até lá para me ver. E, no final dessa semana, ele já está chorando bem menos – acho que até esquece que estou por perto…



Sei que não é fácil para nós nem para eles, mas, acredite, existem algumas atitudes e cuidados que devemos ter para vencer mais essa fase:

criança que nunca frequentou uma escola, uma boa maneira de introduzir o assunto é dizer que ela está crescendo, por isso, precisa de um espaço para brincar com outras crianças.

Precisa aprender coisas novas. Levá-la para comprar os materiais escolares ajuda a prepará-la de uma forma estimulante. Para não ficar caro, ofereça oportunidades de escolha, como “este ou aquele lápis?” ou “qual mochila entre essas três é a melhor?”.

2. O ideal é levar a criança para conhecer o colégio quando estiver mais perto do primeiro dia de aula.

Além disso, evite falar muito da escola. Ficar perguntando coisas do tipo: se ele está preparado, se quer realmente ir para a escola, etc., muitas vezes, acaba gerando mais ansiedade. É importante conversar, estimular, mostras as vantagens que a escola oferece para o dia ser mais divertido. Mas sem exagerar.

3. Em vez de levar ser filho no colo, leve-o de mãos dadas e o entregue à professora.

É bem mais fácil… Durante o período de adaptação escolar, caso o choro continue, não se acanhe e peça ajuda do educador, da pedagoga ou até da psicóloga – se a escola tiver. Por mais que seu filho chore, seja forte e não passe sua insegurança a ele. Ou seja, não chore com ele! Chore escondida rsrs.

4. Nesses dias de adaptação escolar, mais do que nunca, entendi que depende muito de nós, para dar tudo certo, lidar melhor com os obstáculos que vão surgindo.

Comunicar-se com a escola, observar outros alunos e conversar com outros pais me ajudou bastante, aliviou esse processo da “dor da separação”.

5. Não ofereça recompensa, do tipo: “se você não chorar, vou te dar um brinquedo, um doce…”.

Em vez disso, combine algo como, “no fim de semana, o que você acha de fazer um passeio bem gostoso para comemorar a primeira semana de aula?”.

6. Nunca crie falsas expectativas e nem deixe de cumprir o que prometeu.

Se você disser que chegará antes da aula terminar, chegue meia hora antes, no mínimo! É fundamental ele ter certeza que você está cumprindo com a sua parte.

7. Na volta para casa, converse muito com ele.

Diga o que você fez durante o período que ele esteve na escola, pergunte tudo o que ele fez, com quem brincou mais, o que ele mais gostou, o nome dos amigos, etc. Fortalecer este vínculo de troca é sempre muuuuito importante.

8. Normalmente, na primeira semana, as escolas não costumam mandar tarefas.

Mas, se ele trouxer alguma atividade, vale a pena acompanhá-lo de perto. Mostrar que você tem total interesse no que ele está aprendendo é fundamental para estimulá-lo.

9.Adaptar a rotina de toda família ajuda a criança a estar mais disposta para ir ao colégio.

Assim, pelo menos dez dias antes do início das aulas, reveja os horários de acordar, comer, dormir, etc.

10. Lembre-se, sempre, que aprender e desenvolver o ritmo e tempo certo para cada criança é o nosso dever de pais e cuidadores.

Por Débora Lucena – Conteúdo produzido para Revista Casa & Ambiente Bebê.